terça-feira, 1 de maio de 2018

Você ainda vai entender por que Deus permitiu você chorar

Jesus abençoa suas lágrimas e enxuga cada uma delas



Este mundo é o vale das lágrimas. Nosso Senhor também chorou. Chorou a ingratidão de Jerusalém, chorou na sepultura de Lázaro, no Horto das Oliveiras e, antes, havia chorado nas palhinhas da manjedoura de Belém.
“Bem-aventurados”, isto é, felizes – diz Nosso Senhor – “os que choram”.

Ó Lágrimas Divinas e redentoras, sois nosso conforto! E, para santificar nossa dor, Jesus abençoa nossas lágrimas do alto da Montanha. “Beati” – “Felizes…” Então será feliz quem chora? Sim, porque a lágrima salva, desafoga o coração.

Lembremo-nos das lágrimas de Madalena e das do filho pródigo. Como é bom chorar de amor e de arrependimento! Santifiquemos nossas lágrimas na paciência e na resignação.

Deus não nos proíbe de chorar; quer, porém, que o nosso pranto seja, não como o de quem não tem esperança, mas o que suaviza, desafoga o coração, paga o tributo à natureza e se transforma depois em pérolas de abandono à Vontade Santíssima de Deus.

No Céu, onde não haverá mais dores nem gemidos, Ele, Nosso Divino Consolador, enxugará nossas lágrimas.

“Como eu tenho sede do Céu – dizia Santa Teresinha, – dessa mansão bem-aventurada, onde amarei para sempre a Jesus! Mas… para chegar até lá, é preciso sofrer e chorar.” (1)

Soframos, pois, choremos, resignados, nas trevas dessa noite da vida. Paciência! Logo há de raiar a madrugada do Céu!
Aleteia  

O trabalho invisível das mães e a Síndrome de Burnou

 Revista Pazes | Abr 30, 2018

Shutterstock

Uma reflexão e uma homenagem a todas as mães

Quando mães, não raro ignoramos os nossos limites mentais e físicos e dedicamo-nos, além das nossa próprias forças, à honrosa missão de cuidar “do mundo”: cuidamos da casa; educamos os filhos, cuidamos dos filhos, cuidamos do marido, cuidamos do emprego, cuidamos da contas a pagar, das compras a fazer, da leitura que não pode ser adiada, do curso obrigatório que o trabalho exige… e cuidamos, cuidamos… e nos esquecemos de nós mesmas.

Na busca da perfeição nessas tarefas dignas de uma super-heroína, dificilmente paramos para pensar no quanto essa sobrecarga nos esmaga, física e psicologicamente, dia após dia.

Ocorre que somos contagiadas pela invisibilidade que a sociedade atribui ao que fazemos. Ao chegarmos do trabalho, há centenas de pequenas tarefas que nos esperam, todas invisíveis aos olhos sociais, que, somadas, nos levam à exaustão. São tarefas necessárias e quase todas não podem ser deixadas para amanhã. O banho do filho, o jantar do filho, a tarefa do filho, o sorriso de boa noite para o marido, que muitas vezes, pelo cansaço, custa a sair. Detalhes da limpeza e higienização do lar. Tarefa escolar dos filhos.

Essa sobrecarga invisível pode levar-nos a uma síndrome já bem conhecida da ciência: a Síndrome de Burnout. Essa síndrome corresponde a uma reação negativa do corpo diante de situações contínuas de estresse e extrema competição, quando a incerteza quanto ao futuro nos leva à insegurança, ao medo, à ansiedade.

Diante desse quadro tão ofensivo, especialmente à alma de uma mãe (ser dotado de sensibilidade maior), surgem-nos diversas doenças psicossomáticas, como ansiedade, depressão, problemas gástricos e intestinais, cansaço crônico e até mesmo fibromialgia.

Nos casos mais graves, diante de uma total apatia diante da vida, pode advir um quadro de enedonia (impossibilidade de sentir prazer). Assim, a pessoa perde, por completo, a alegria de viver.

Certa vez, quando estava com depressão pós-parto e abandonei uma pós-graduação que cursava, um professor me disse algo que nunca mais me esqueci. Ele disse: “Não é justo que a sua filha testemunhe, enquanto você alicerça o mundinho dela, a ruína existencial da própria mãe.” E emendou: “Você não tem o direito de permitir-se adoecer, de não olhar para si, de não amar-se.”

As palavras do meu professor ecoaram em minha alma e pude perceber o quanto eu me anulava na tentativa de ser a mãe perfeita, a advogada perfeita, a esposa perfeita, a cidadã exemplar, a aluna perfeita…

Foi quando vi que eu havia, na busca da perfeição e na ânsia de sempre superar a mim mesma nas tarefas invisíveis cotidianas, perdido a alegria de viver.

Então, quando penso no que dizer às mães por ocasião da comemoração do seu dia, eu digo: encarem a maternidade com alegria. Encarem a sua neura com a perfeição como uma escravidão que merece ser abolida por um ato libertário de amor próprio. Encare o pai dos seus filhos como um companheiro que deve carregar, ombro a ombro, a mesma carga que você. Se ausente e indiferente for o pai, encare-o como um desertor que haverá de responder, perante o tribunal da própria consciência, um dia, por sua covardia ou por sua incapacidade de amar.Mas a deserção dele não é responsabilidade sua. Não carregue mais essa carga.

E, finalmente, é hora de festejar o seu dia. Que seja um dia de analisar se é justa a sobrecarga doméstica que você atrai para si. De analisar se esses sintomas que você sente não são já o alarme da Síndrome de Burnout.

Que seja o dia de festejar a ousadia de um ser imperfeito, falho, precário, eterno aprendiz, mas que teve a ousadia amar, de ceder lugar em seu ventre para florir novas vidas, e que precisa aprender, a cada dia mais, a saber que que não precisa fazer mais do que pode para ser o infinito que é.

(via Pazes)

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Amigo, você não fez nada


Tenho dias de confusão que só meus travesseiros entendem, e nesses, tudo que quero do mundo é distância.
Se acaso me encontrar por ai sem o riso que costumo levar, saiba que não estou no meu melhor momento.
Mas olha, eu continuo em algum lugar no meio de todo o cinza.
Aquela pessoa falante e repleta de sonhos.
Então não me mande mensagens quando eu sumir, não tente me encontrar.
E por fim, não me pergunte se estou bem, porque nós dois sabemos a resposta.
Quando a poeira baixar, eu vou precisar que você me lembre de tudo de bom que sempre lhe digo. Mas nos meus dias tristes me deixe só.
Preciso me ausentar do mundo algumas vezes, e ter meu tempo pra chorar e fazer meu escândalo silencioso no meu quarto.
Tenho minhas manias, meus estados, e às vezes, não é da conta de ninguém.
Não é o peso de ninguém.
Demorei muito pra aceitar que algumas bagunças fazem parte de quem sou.
Agora preciso encontrar sozinho a paz dentro da minha própria confusão.
E sabe, sumir faz parte.
Há momentos em que precisamos nos despedir de todo mundo e mergulhar dentro de nós mesmo pra lembrar quem somos. Pra poder ouvir as batidas do nosso próprio coração.
Eu vou ficar bem, mas no meu tempo.
Só não tente, porque eu mesmo não me entendo em grande parte do tempo.
Seu trabalho não é me compreender, mas se ainda estiver por aqui depois de tudo isso, um abraço seu seria ótimo.

por Daniel Duarte

A mãe do pai


"A mãe da mãe tem as portas abertas.
Liberdade, intimidade, jeitinho.
É coadjuvante da novidade, doadora silenciosa do amor.
Cúmplice de uma nova mãe que merece e precisa da sua presença.
Mas e a mãe do pai?
Quão difícil é ser mãe do pai.
Achar a brecha, encontrar o lugar, se chegar.
A mãe do pai não tem que ajudar nas posições das mamadas, não tem que fazer compressas pré amamentação.
Para isso já existe a mãe da mãe.
É ela quem o coração de filha pede.
E assim, a mãe do pai fica ali, observando de perto mas de longe.
A mãe do pai não tem desculpas para visitas demasiadamente prolongadas.
Precisa ir na coragem, na boa cara de pau, na fé.
A mãe do pai não pode ligar 3x ao dia para saber como está o toquinho de gente que fez seu coração explodir mais uma vez.
Ser mãe do pai é presenciar o filho se descobrir na paternidade, e ao mesmo tempo ter relances do garotinho que ontem segurava sua mão, e agora segura um bebê.
Ser mãe do pai é querer beijar, abraçar, palpitar na vida de um bebê que é tão seu, mas nem tanto.
É o amor incondicional que não pode chegar arrombando, precisa ser manso, bater na porta.
Ser mãe do pai é ter que aprender a respeitar a ordem do tempo e principalmente das coisas.
É o amor resiliente, humilde, paciente.
Tenho a impressão que ser mãe do pai é o mais paciente dos amores.
É a união do amor com a espera.
Espera pelo momento, pela sua hora.
É falar, já que às vezes o amor fala demais, e se arrepender.
A verdade, que não se pode negar, é que a mesma frase dita pela mãe da mãe, é recebida de forma diferente quando dita pela mãe do pai.
Ser mãe do pai é enxergar em outra mulher não somente a esposa do filho, mas a guardiã e mãe do novo ser que é tão importante na sua vida.
Ser mãe do pai é um papel tão complexo que assusta.
E me traz uma ponta de tristeza, pois um dia será a minha vez.
E uma ponta de vergonha, já que lembro da minha sogra e da sua jornada como mãe de pai.
Pensando assim meu coração me pede mais paciência, compreensão, tolerância. Me pede para lembrar que quando o assunto é amor para os meus filhos, seja da mãe da mãe, ou da mãe do pai, nunca é demais.


Autora: @a.maternidade - Rafaela Carvalho”

sábado, 30 de dezembro de 2017

Um feliz e abençoado ano novo!




Quantas vezes você já ouviu a frase: “Ano novo, vida nova”? Portanto, vamos dedicar o dia de hoje para tornar esse ditado a mais pura verdade. Vamos fazer com que nossas atitudes e palavras edifiquem uma vida digna, repleta de alegria e da paz de Cristo.

Vamos encher nosso coração de esperança, para que possamos receber o ano de 2018 com a fé totalmente elevada, na certeza de que tudo concorrerá para o bem daqueles que levam suas vidas com Jesus.

Façamos uma reflexão sobre nosso papel neste mundo e deixemos tudo de ruim no passado. Que possamos dar início a 2018 sem carregar nenhum sentimento que possa nos assombrar ou atrapalhar nossa caminhada. Deus nos concedeu a graça de entrarmos em mais um ano, portanto vamos iniciar essa nova etapa com muita alegria e gratidão.

Que tudo que pedimos no Natal se concretize em 2018. Que Jesus esteja sempre nos guiando e que saibamos entender os sinais de Deus e refletir sobre suas maravilhas. Que nossa fé seja sempre fortalecida e que cada dia seja de vitórias e conquistas.

Lembre-se de que Deus te quer sorrindo. Mesmo que você esteja passando por momentos turbulentos, não é o que Deus quer para você. Nosso Pai do céu quer nossa felicidade. Quem pede recebe, mas quem agradece recebe em dobro! Portanto, vamos encerrar este ano agradecendo por tudo. Pelas coisas boas e pelas coisas que não foram tão boas, mas que serviram para nosso aprendizado e crescimento.

Dessa maneira, amados, mesmo que o inimigo tente colocar o mal em nossos caminhos, ou faça uso de pessoas para que inconscientemente tragam problemas para nossas vidas, lembrem-se da diferença entre o “ser” e o “estar”. Podemos estar em um momento difícil, podemos estar agitados e ansiosos, mas isso não é o que somos. Somos filhos amados de Deus e, com ELE verdadeiramente em nossos corações, teremos força para atravessar as tempestades e as turbulências da vida sem perdermos o rumo e sem sairmos dos trilhos.

Com tudo isso, vamos encerrar este ano de 2017 limpando nossas mentes e nossos corações. Eliminando as coisas ruins e agradecendo pelos momentos de turbulência, pois veremos em breve que nos serviram de lições e nos tornaram mais fortes. Exaltando tudo que foi positivo, das coisas mais pequeninas às mais grandiosas, e com muita gratidão e esperança, vamos juntos fazer de 2018 o melhor ano de nossas vidas!

Um ano novo abençoado e iluminado por Jesus! Que Deus abençoe a todos!

Pe. Marcelo Rossi

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Música Guerreiro Menino para Moro



Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
Palavras amenas
Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
Da própria candura
GUERREIROS SÃO PESSOAS
São fortes, são frágeis
Guerreiros são meninos
No fundo do peito
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sonho
Que os tornem refeitos
É triste ver este homem
Guerreiro menino
Com a barra de seu tempo
Por sobre seus ombros
Eu vejo que ele berra
Eu vejo que ele sangra
A dor que traz no peito
Pois ama e ama
Um homem se humilha
Se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E a vida é trabalho
E sem o seu trabalho
Um homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata
Não dá pra ser feliz
Não dá pra ser feliz

Compositores: Andre Gomes / Aninha Lima / Gabriel O Pensador / Tiago Mocoto

domingo, 15 de outubro de 2017

Dia dos Professores: “Dá-me uma sala de aula e mudarei o mundo!”

A nobre missão de educar um ser humano


O transcurso do Dia do Professor, em 15 de outubro, é uma oportunidade para saudá-lo, agradecer pelo trabalho dedicado aos nossos jovens; e de oferecer-lhe uma reflexão sobre esta nobre missão. 
Eu me incluo entre eles porque há 40 anos exerço o magistério.

Não há dúvida de que no rol das profissões, a de professor sempre se destacou pelo fato de trabalhar diretamente com a mais nobre realidade do mundo: o coração, a inteligência e alma do ser humano. Nada é mais importante do que o homem e a mulher. Santo Irineu já dizia no século II que “o homem é a glória de Deus”; é claro que falava do ser humano, não apenas do masculino. A missão do professor, mais do que ensinar, é educar.

É nobre e necessário dominar o aço e os microorganismos, ouvir as galáxias e o cosmo, construir casas e computadores, mas muito mais nobre ainda é formar o homem, senhor de tudo isso. Os sábios gregos já diziam: “dá-me uma sala de aula e mudarei o mundo!”

Ghandi dizia que “a verdadeira educação consiste em pôr a descoberto o melhor de uma pessoa”. É como fazia Michelangelo com a pedra. 

Certo dia, ele viu um bloco de mármore e disse a seus alunos: “Aí dentro há um anjo, vamos colocá-lo para fora!”. 
Depois de algum tempo, com o seu gênio de escultor, um anjo surgiu da pedra. 
Então os discípulos lhe perguntaram como tinha conseguido aquela proeza. 
Ele respondeu: “O anjo já estava aí, apenas tirei os excessos que estavam sobrando”. 
Educar é isso, é ir com paciência e perícia, sabedoria e bondade, retirando os maus hábitos e descobrindo as virtudes, até que o “anjo” apareça em cada aluno.

O grande educador francês Michel Quoist dizia “que não é para si que os homens educam os seus filhos, mas para os outros e para Deus. 
Educar é colaborar com Deus”. 

O jovem e frágil aluno de hoje será o condutor da nação amanhã; o que for semeado hoje no seu coração, na sua mente e no seu espírito, será colhido amanhã pela sociedade. 
Daí a grande tarefa e enorme responsabilidade do professor, em qualquer nível. 
Já esqueci os nomes de muitas pessoas ilustres que passaram em minha vida, mas nunca esqueci os nomes das quatro primeiras professoras do curso primário.

O que o aluno espera de um professor? 
O que os pais e a nação esperam de nós? 
Em primeiro lugar, que sejamos honestos, honrados e capacitados, exigências mínimas de quem carrega o título de mestre. 
Sabemos que o homem moderno está cansado de discursos. 
Quer ver bons exemplos, a começar do professor. O mestre romano Sêneca dizia que “de nada vale ensinar-lhes o que é a linha reta, se não lhes ensinarmos o que é a retidão”.

O aluno só aprende com satisfação quando o professor ensina com entusiasmo e sabe motivá-lo. Os alunos respeitam o professor que domina a matéria e sabe motivar para o aprendizado. 
Um homem motivado vai à Lua, mas sem motivação não atravessa a rua.

O aluno espera que o professor tenha paciência com ele, tenha a humildade de não usar o seu conhecimento para humilhá-lo e que não use do poder da avaliação para destruir a sua autoestima. 
O aluno espera que o professor prepare bem as aulas. 
 Nada pior para um aluno do que ter que assistir a uma aula maçante, mal preparada, ministrada por alguém que não conhece o que ensina. 
É um grande desrespeito. para não dizer, um crime. 
Ele quer ver o seu mestre ensinar com didática, competência e clareza, além de pontualidade no horário e apresentação adequada. 
Ele quer vê-lo como um bom amigo que não lhe dá apenas informações, mas formação e sabedoria de viver.

João Paulo II, na encíclica Redentor dos Homens, disse que o mundo vai mal porque o homem moderno conquistou o universo, mas perdeu o domínio de si mesmo. 
Sente-se hoje ameaçado por aquilo que ele mesmo criou com a sua inteligência e construiu com as suas mãos. 

Por quê? Porque falta-lhe a Sabedoria. 
Porque junto com a ciência e a tecnologia não cuidou do desenvolvimento e do respeito aos princípios da ética, da moral e da fé. 
Está cheio de ciência, mas vazio de sabedoria. 
Ele disse que os falsos profetas e os falsos mestres conheceram o maior sucesso possível no século XX (EV,17).

Sabemos que a felicidade verdadeira, que não acaba, é aquela que nasce no bojo da virtude. 
Portanto, é na vivência de um magistério autêntico que colheremos os frutos mais doces da profissão.

Prof. Felipe Aquino

sábado, 14 de outubro de 2017

O caminho

Olha em frente, tentando descortinar a estrada da vida!

Mas os seus olhos não o ajudam e ele não consegue perceber sequer o caminho para amanhã, quanto mais para o futuro.

O que fazer? Por onde ir? Onde está a estrada segura?

Nada, nem uma resposta, nem uma visão, nem um conselho, nem nada que os seus olhos possam ver!

Assim, pensou, não é possível caminhar, ou seja, não é possível viver, pois não há uma direcção segura, uma estrada para percorrer, um caminho que leve à meta desejada da felicidade.

Desiste de olhar, de ver, e fecha os olhos com a resignação de quem pensa já nada haver a fazer.

Percebe então que no seu íntimo existe outra maneira de ver, pois quase jurava que o seu coração tem olhos, e que esses olhos vêem um caminho à sua frente, bem marcado e presente.

No entanto o seu primeiro entusiasmo por ver aquele caminho, começa a esmorecer, quando percebe um caminho estreito, por vezes ladeado por abismos sem fim, pedras, com curvas e contra-curvas, obstáculos, subidas e descidas, enfim, um caminho humanamente desaconselhável.

Regressa ao coração e deixa-se guiar por ele.

Tem então a noção de que em cada sítio mais complicado do caminho existe sempre uma luz, uma mão, um ombro, uma palavra, um conselho e que, apesar de tudo, se seguir esse caminho deixando-se conduzir por tudo isso, o fim é perfeitamente alcançável, e que esse fim se prefigura como um paraíso, onde o amor e a felicidade comungam, e afinal se chama Deus!

A decisão está tomada!
Aquele é a estrada a percorrer, a direção segura, a vida com sentido, que leva à meta desejada!

Procura uma placa de informação, algo que lhe diga como se chama esse caminho, e então vê na borda do caminho estreito, o nome que Alguém lhe deu: Igreja!

Joaquim Mexia Alves

sábado, 26 de agosto de 2017

O lápis✏

Nenhum texto alternativo automático disponível.


O menino observava seu avô escrevendo em um caderno, e perguntou:


— Vovô, você está escrevendo algo sobre mim?


O avô sorriu, e disse ao netinho:


— Sim, estou escrevendo algo sobre você. Entretanto, mais importante do que as palavras que estou escrevendo, é este lápis que estou usando. Espero que você seja como ele, quando crescer.


O menino olhou para o lápis, e não vendo nada de especial, intrigado, comentou:


— Mas este lápis é igual a todos os que eu já vi. O que ele tem de tão especial?


— Bem, depende do modo como você olha. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir vivê-las, será pessoa de bem e em paz com o mundo, respondeu o avô.



— Primeira qualidade: assim como o lápis, você pode fazer coisas grandiosas, mas nunca se esqueça de que existe uma "mão" que guia os seus passos, e que sem ela o lápis não tem qualquer utilidade: a mão de Deus.



— Segunda qualidade: assim como o lápis, de vez em quando você vai ter que parar o que está escrevendo, e usar um "apontador". Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas ao final, ele se torna mais afiado. Portanto, saiba suportar as adversidades da vida, porque elas farão de você uma pessoa mais forte e melhor.



— Terceira qualidade: assim como o lápis, permita que se apague o que está errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos trazer de volta ao caminho certo.



— Quarta qualidade: assim como no lápis, o que realmente importa não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro dele. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você. O seu caráter será sempre mais importante que a sua aparência.



— Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida deixará traços e marcas na vida das pessoas, portanto, procure ser consciente de cada ação, deixe um legado, e marque positivamente a vida das pessoas.

Quem deixou meus pais envelhecerem?


Para nossos filhos que estão nos vendo envelhecer sem saber como lidam com este fato . Compartilhe com eles. Quem sabe comecem a nos entender melhor .

Quem deixou meus pais envelhecerem?

Meus pais não são velhos.
Quer dizer, velho é um conceito relativo.
Aos olhos da minha avó são muito moços.
Aos olhos dos amigos deles, são normais.
Aos olhos das minhas sobrinhas, são muito velhos. Aos meus olhos, estão envelhecendo.
Não sei se lentamente, se rápido demais ou se no tempo certo.
Mas sempre me causando alguma estranheza.
Lembro-me de quando minha mãe completou 60 anos. Aquele número me assustou.
Os 59 não pareciam muito, mas os 60 pareciam um rolo compressor que se aproximava.
Daqui uns anos ela fará seus 70 e eu espero não tomar um susto tão grande dessa vez.
Afinal, são apenas números.

Parece-me que a maior dificuldade é aprendermos a conciliar nosso espírito de filho adulto com o progressivo envelhecimento deles.
Estávamos habituados à falsa ideia que reina no peito de toda criança de que eles eram invencíveis.
As gripes deles não eram nada, as dores deles não eram nada.
As nossas é que eram graves, importantes e urgentes.
E de repente o quadro se inverte.

Começamos a nos preocupar- frequentemente de forma exagerada- com tudo o que diz respeito a eles.
A simples tosse deles já nos parece um estranho sintoma de uma doença grave e não uma mera reação à poeira.
Alguns passos mais lentos dados por eles já não nos parecem calma, mas sim uma incômoda limitação física.

Uma conta não paga no dia do vencimento nos parece fruto de esquecimento e desorganização e não um simples atraso como tantos dos nossos.
Num dado momento já não sabemos se são eles que estão de fato vivendo as sequelas da velhice que se aproxima ou se somos nós que estamos excessivamente tensos, por começarmos a sentir o indescritível medo da hipótese de perdê-los- mesmo que isso ainda possa levar 30 anos.
Frequentemente nos irritamos com nossos pais, como se eles não estivessem tendo o comportamento adequado ou como se não se esforçassem o bastante para manterem-se jovens, vigorosos e ativos, como gostaríamos que eles fossem eternamente.
De vez em quando esbravejamos e damos broncas neles como se estivéssemos dentro de um espelho invertido da nossa infância.
Na verdade, imagino eu, nossa fúria não é contra eles.
É contra o tempo.
O mesmo tempo que cura, ensina e resolve é o tempo que avança como ameaça implacável.
A nossa vontade é gritar “Chega, tempo! Já basta!
60 já está bom!
65 no máximo!
70, não mais do que isso!
Não avance, não avance mais!”.
E, erroneamente, canalizamos nos nossos pais esse inconformismo.
O fato é que às vezes a lentidão, o esquecimento e as limitações são, de fato, frutos da idade.
Outras vezes são apenas frutos da rotina, tão naturais quanto os nossos equívocos.
Seja qual for a circunstância, eles nunca merecem ter que lidar com a nossa angústia.
Eles já lidaram com os nossos medos todos- de monstros, de palhaços, de abelhas, de escuro, de provas de matemática- ao longo da vida.
Eles nos treinaram, nos fortaleceram, nos tornaram adultos.
E não é justo que logo agora eles tenham que lidar com as nossas frustrações.
Eles merecem que sejamos mais generosos agora.
Mais paciência e menos irritação.
Menos preocupação e mais apoio.
Mais companheirismo e menos acusações.
Menos neurose e mais realismo.
Mais afeto e menos cobranças.
Eles só estão envelhecendo.
E sabe do que mais?
Nós também.
E é melhor fazermos isso juntos, da melhor forma.

POR RUTH MANUS